Jorge Furtado

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A Cara da Democracia

Na coluna da esquerda, Fernando Henrique Cardoso, Alvaro Uribe, Rei Juan Carlos e Roberto Michelleti. Na coluna da direita, Lula, Evo Moralez, Hugo Chavez e Manuel Zelaya.

 

FHC mudou a constituição em benefício próprio, sem realizar qualquer plebiscito ou consulta popular. Alguns deputados que votaram a favor da mudança constitucional, que beneficiou o governo do PSDB, tiveram seus votos comprados, com dinheiro em malas, e foram cassados. Alvaro Uribe enviou ao congresso da Colômbia proposta de mudança constitucional que o benificia, pretende concorrer a um terceiro mandato. O Rei Juan Carlos é rei da Espanha porque seu pai era rei da Espanha, reis não são eleitos. Roberto Michelleti, atualmente ocupando a chefia do governo de Honduras, liderou um golpe que derrubou o presidente eleito.

Lula cumpre o mandato para o qual foi eleito, sem qualquer alteração constitucional. Evo Morales e Hugo Chavez cumprem mandatos para os quais foram eleitos, promoveram plebiscitos para decidir alterações constitucionais e, vencedores ou derrotados, cumpriram as decisões das consultas populares. Chavez foi vítima de um golpe militar, apoiado pelo governo Bush, mas foi reconduzido ao poder, pelo voto. Manuel Zelaya, presidente eleito de Honduras, foi deposto pelos golpistas com a alegação de que pretendia fazer uma consulta popular sobre a convocação de uma assembléia constituinte que talvez o permitisse concorrer a um segundo mandato.

Qualquer análise racional conclui que os líderes da coluna da direita demonstram maior apego à democracia e às regras constitucionais que os líderes da coluna da esquerda. No entanto, em qualquer conflito entre os líderes da coluna da esquerda e da direita, a elite brasileira e sua antiga imprensa, sempre alegando defender princípios democráticos e constitucionais, demonstra sua inequívoca simpatia pelos lideres da coluna da esquerda. O motivo? Está na cara.

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Notícias difíceis de achar por aqui:


http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090912_honduras_rc.shtml

Estados Unidos suspendem visto de presidente interino de Honduras

Claudia Jardim

De Caracas para a BBC Brasil

A autoridade de Micheletti como presidente não é reconhecida pela comunidade internacional

Os Estados Unidos suspenderam o visto do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, de seu chanceler Carlos López e de 14 juízes da Suprema Corte de Justiça, em uma nova medida de pressão para levar à assinatura do acordo de San José, que prevê a restituição ao poder do presidente eleito Manuel Zelaya.

A medida foi anunciada pelo próprio Micheletti neste sábado, que disse ter sido informado pelo consulado dos Estados Unidos em Tegucigalpa, capital hondurenha.

"Recebi uma carta do consulado americano em Honduras, na qual me informam que suspenderam o visto de entrada nos EUA, em razão dos fatos de 28 de junho (quando Zelaya foi deposto), afirmou.

"Esta é uma mostra da pressão que o governo dos EUA exerce em nosso país", acrescentou.

Pressão econômica

Há pouco mais de um mês, Washington já havia suspendido o visto diplomático de alguns funcionários de governo interino, cuja legitimidade não é reconhecida pela comunidade internacional.

Dessa vez, porém, as autoridades norte-americanas, segundo Micheletti, suspenderam também seu visto de entrada como turista aos Estados Unidos.

Segundo o líder interino, a carta enviada pelo consulado americano, na qual informam a suspensão de seu visto foi dirigida ao presidente do Parlamento -cargo que Micheletti ocupava antes do derrocamento do governo eleito - e "não como presidente de Honduras", disse.

A medida se soma à decisão tomada na quinta-feira pela Casa Branca de suspender uma ajuda de US$11 milhões que seriam destinados a Honduras para o desenvolvimento de projetos de cooperação.

Na quarta-feira foi a vez do FMI (Fundo Monetário Internacional) anunciar o congelamento de um crédito correspondente a US$ 164 milhões, ação que pode ser considerada como a pior sanção econômica aplicada ao governo liderado por Micheletti até agora.

Em resposta, o ex-parlamentar disse que a decisão dos EUA "não muda em nada minha situação porque não estou disposto a retroceder", afirmou. "Isso não vai mudar nosso pensamento, nossa mentalidade e nosso desejo de viver em democracia", disse.

As novas medidas de pressão dos Estados Unidos estão sendo vistas como uma "vitória, ainda que insuficiente", pela Frente de Resistência Contra o Golpe, que mantém mobilizações nas ruas das principais cidades do país, exigindo o retorno de Zelaya à Presidência.

Eleições

A direção da Frente rejeita a campanha eleitoral em curso para as eleições gerais de novembro, por considerar que não há "legitimidade e transparência" para a realização de um pleito democrático.

A Organização de Estados Americanos (OEA), Brasil e a maioria dos países da região advertiram que não reconhecerão o resultado das eleições, caso Zelaya não seja restituído.

O acordo de San José, rejeitado por Micheletti e seus aliados, prevê, entre outros pontos, o retorno de Zelaya à Presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembléia Constituinte – medida que foi utilizada como argumento pela oposição para depor a Zelaya.

Enviado por Gustavo em 14 de novembro de 2009.

Jorge: Não me parece muito justo separarar a imprensa entre "velha" e "nova"; penso que a imprensa brasileira é a imprensa brasileira (um pouco velha, um pouco nova), assim como o Brasil é o Brasil e a Espanha é a Espanha. Penso que Lula fez um excelente governo (tão bom quanto o de FHC, que também foi razoavelmente bom, apesar de seus escândalos de corrupção e seus "mensalões"), mas no seu sétimo ano de mandato começa a adquirir uma feição meio autoritária, preconceituosa e arrogante. Lula deu uma nova face à democracia brasileira, uma face mais comprometida com os miseráveis, com as regiões mais devassadas pela desgraça secular da desigualdade e da injustiça; e tenta criar um país com um pouco mais de orgulho patriótico, com um pouco mais de auto-estima. Tenta também propor um remodelamento de mundo, com menos concentração de poder e capital nas nações do hemisfério norte, que historicamente saquearam o hemisfério sul e continuam querendo mais. Mas não podemos esquecer que nem tudo em Lula é belo, e que nem todos os projetos da "esquerda" são necessariamente comprometidos com a democracia. Sim, porque o povo é o povo, não é apenas o povo pobre, ou apenas o povo rico, ou apenas a classe média; é simplesmente o povo, resultado de séculos de forças e transformações históricas; evidente que os pobres são mais desprotegidos e precisam mais do governo. Mas tudo tem que ser feito dentro do respeito à democracia e às instituições. Lula já não parece manter mais o mesmo respeito a essas instituições; ao apoiar publicamente gente do quilate de Sarney e Collor, ele não está se comprometendo com um Brasil novo, mas se aliando a um Brasil velho com o único e exclusivo propósito de se manter no poder. E um político que lança mão de todos os meios com essa única ambição não está propriamente pensando no povo, mas apenas em si mesmo. Então, assim como não há um Lula bom nem Lula ruim, nem um FHC bom ou FHC ruim, também não acho que exista uma imprensa boa ou má. Ela apenas faz seu papel, e ao povo, a nós, que somos frutos das transformações do país e de nossas próprias vidas, cabe decidir. Abraço!

Enviado por Badger Vicari em 30 de setembro de 2009.

Não é bem assim, Jorge. O plebiscito proposto por Zelaya não foi aprovado na Corte Suprema, e mesmo assim ele tentou realizá-lo, sendo impedido pelo exército. Quanto à emenda de FHC, a mudança constitucional beneficiou também governadores, que orientaram suas bancadas a votar a favor. Claro que nessa onda sempre é preciso dar um, digamos, "semestralzão" para uns e outros tantos. Chávez, por favor!, perdeu um plebiscito, mas logo seis meses depois convocou outro e venceu. Ora, sejamos sinceros, qualquer milhão de bolsinhas-família perpetuam qualquer sujeito no poder (poderia ter sido o Fujimori... você apoiaria?). Eu sei que é indelicado julgar as pessoas pela aparência, mas o tal Zelaya me parece um bandoleiro de quem eu não compraria um carro usado.

Enviado por Joel Bueno em 29 de setembro de 2009.

Proponho aos blogueiros civilizados chamar o Micheletti de "ditador de facto", ou "ditador interino"...

Enviado por Luis Mario em 26 de setembro de 2009.

O que mais impressiona, na minha opinião, é a pirotecnia que a imprensa faz para omitir uma frase simples. "Nós da imprensa, apoiamos o golpe, assim como apoiamos a ditadura militar no Brasil." Fazem programas, consultas por email e por telefone, Você é a favor ou contra o golpe? Mas puxa, achei que era um assunto que não precisava de consulta, debates, opinião do Puggina e outros estandartes da velhice velhaca. Realmente achei que fosse simples, como o uso do cinto de segurança, algo acima de qualquer debate ou ponto de vista. Mas não...Minha vontade é ficar na frente do prédio da ZH com um cartaz enorme ZH APÓIA DITADURAS! Mas acho que seria o único e iam acabar dizendo que eu fiz isso por causa do crack. Hehehehe. A desinformação ou contra-informação aliás, não sei como se chama esse conjunto de noticias erradas/fabricadas/distorcidas, pode chegar até que ponto? A RBS está faz tempo formando um grupo de leitores cuja informação não está sequer perto da verdade dos fatos, um exército de gente equivocada que abre a boca em todos os espaços que lhe são dados para despejar inverdades, mentiras, preconceitos e outras porcarias. Não é a toa que o Lula perde aqui. Não há quem resista aos ataques diários que ele sofre da ZH. Até quando vamos chamar ZH de jornal e as pessoas que lá trabalham de jornalistas? A classe artística em geral se cala, pois adora as migalhas que eles jogam de tempos em tempos. Isso dá um documentário... e dor de cabeça.