Jorge Furtado

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Roubando dos miseráveis

Ladrões que roubam dos ricos, Robin Hood, Raffles, Arsene Lupin, costumam ser simpáticos. Já os ladrões que roubam dos pobres despertam em mim um sentimento primitivo e, reconheço, altamente reprovável, que é a vontade de dar-lhes uma camaçada de pau. Uma sova, é isso, acompanhada de impropérios, xingamentos grossos e, no final de tudo, um pé na bunda.

 

Ladrões do sistema financeiro, sonegadores de impostos, gente que se move pelas brechas da lei ou passa por cima dela de patrola, quadrilhas de colarinho branco e seus advogados falantes, tumores com metástases na política, na justiça, na polícia e na mídia, roubam dos pobres. O dinheiro que viaja para se bronzear nos paraísos offshore do Caribe é o mesmo que falta para o remédio no posto de saúde. O dinheiro na mala do suborno é o mesmo que falta para os professores, os policiais, os médicos.

A última roubalheira que nos foi apresentada – graças ao trabalho da imprensa, do ministério público e da polícia - foi a fraude da LIC, sistema de financiamento aos projetos culturais do estado (RS), maracutaia que incluía até a assinatura falsa de secretários. O mais triste de tudo é a justificativa da fazenda para a dificuldade de descobrir a fraude: a verba destinada para a cultura é tão pequena que eles nem perceberam que o dinheiro foi surrupiado. Pior: por causa das picuinhas entre o governo do estado e o conselho estadual de cultura, menos da metade da merreca destinada à cultura foi realmente investido.

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A decisão de Lula de garantir que parte significativa da riqueza que pode vir do petróleo seja investida em educação é sábia, petróleo é recurso não-renovável. Temos, ao queimá-lo, a obrigação mínima de pensar no futuro, e pensar no futuro é pensar em educação. Lula deixaria ao país uma herança inestimável se cuidasse de triplicar, no mínimo, o salário médio dos professores. Para aumentar a chance de que nossos netos tenham um país decente é fundamental incentivar a carreira do magistério, tornar a escola um espaço de invenção e conhecimento, e isso só se faz com bons profissionais, bem remunerados.

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Para saber mais sobre Arthur J. Raffles, personagem de E. W. Hornung.

Enviado por Ricardo Silveira em 17 de setembro de 2008.

O dinheiro do pré-sal, numa visão otimista, começará a entrar em 2017. Até lá, esperaremos que o presidente da ocasião, o sucessor do sucessor do Lula, transforme o 'marketing' político do pré-sal em ação de fato. Gostaria de lembrar que estados e municípios não melhoraram a vida de seus cidadãos com os royalties do petróleos. Acredito que o mesmo se dará com o pré-sal. Atenciosamente.