
FILME COM WAGNER MOURA E FERNANDA TORRES VIRA FENÔMENO NA INTERNET
O Capixaba, 14/01/2026
A comédia cult “Saneamento Básico, O Filme”, de 2007, dirigida por Jorge Furtado e estrelada por Wagner Moura e Fernanda Torres, voltou a ser assunto e agora está disponível nas principais plataformas de streaming, como HBO Max, Netflix, MUBI e Globoplay. Para assistir no Amazon Prime Video, é preciso ter uma assinatura do Telecine.
Detalhes técnicos e contexto histórico
Lançado em 2007, o filme captura bem a transição do analógico para o digital que marcou os anos 2000. A maior parte foi rodada em película 16 mm, com alguns trechos em 35 mm, o que confere uma textura cinematográfica clássica. Já o “filme dentro do filme”, intitulado “O Monstro do Fosso”, foi gravado com uma câmera de vídeo amadora. Essa escolha do diretor visava distinguir visualmente a realidade da ficção, mas também acabou registrando um formato que era símbolo do vídeo caseiro da época. Para o público atual, acostumado com edições rápidas em aplicativos, é interessante observar os personagens descobrindo e aprendendo a edição não-linear em computadores.
A criação do monstro e efeitos práticos
Em uma era dominada por efeitos especiais digitais e inteligência artificial, a criação do monstro neste filme é uma demonstração de criatividade manual. A estética escolhida combina perfeitamente com a narrativa de uma produção caseira. O personagem de Wagner Moura, Joaquim, constrói a criatura usando materiais recicláveis, folhas e lixo, com efeitos práticos tradicionais e sem telas verdes - uma solução que dialoga diretamente com o tema ecológico da história.
O custo dos direitos autorais
A trilha sonora de um filme envolve uma burocracia de direitos complexa e cara. Em “Saneamento Básico”, a música que teve o licenciamento mais caro foi o clássico “It Had to Be You”, na interpretação de Billie Holiday. O diretor Jorge Furtado revelou que pagou cerca de três mil dólares na época só para usar essa canção, um exemplo de como a qualidade artística sempre teve seu preço.
Um elenco premiado e roteiro sob medida
Assistir ao filme hoje é uma experiência curiosa, pois o elenco de 2007 reuniu talentos que depois conquistaram reconhecimento internacional. Além da dupla Wagner Moura e Fernanda Torres, que posteriormente foram premiados com o Globo de Ouro, a produção conta com atores consagrados como Lázaro Ramos e Camila Pitanga. Uma curiosidade sobre o roteiro é que os papéis foram escritos especificamente para esses atores. Jorge Furtado explicou que desenvolveu a trama já imaginando esse grupo. Por exemplo, o papel de Silene, vivido por Camila Pitanga, permitiu ao diretor explorar com precisão a metalinguagem de uma “musa” em busca de papéis dramáticos profundos, que acaba roubando a cena ao fugir de um monstro feito de lixo.
A inspiração em fatos reais
Apesar de parecer absurda, a história tem suas raízes em uma contradição típica do Brasil. O diretor Jorge Furtado contou que a ideia nasceu da junção de dois universos: os personagens arquetípicos da Commedia dell’Arte, um estilo clássico de teatro popular italiano, e os editais de cultura lançados pelo governo. Ele testemunhou o lançamento de um concurso real para a produção de vídeos em cidades com até vinte mil habitantes. A partir disso, criou o dilema central: como justificar a verba para um projeto de cinema em um lugar que nem tem saneamento básico? A solução fictícia encontrada pelos personagens - usar o dinheiro da arte para realizar a obra de infraestrutura - foi a resposta satírica do diretor a essa questão.
“SANEAMENTO BÁSICO, O FILME” VOLTA AO CENTRO DAS ATENÇÕES APÓS VITÓRIAS DE WAGNER MOURA
Ygor Monroe
Caderno Pop, 14/01/2026
O filme “Saneamento Básico, o Filme”, dirigido por Jorge Furtado e lançado em 2007, voltou ao centro das conversas culturais no Brasil no início de 2026, impulsionado pelo momento histórico vivido por Fernanda Torres e Wagner Moura no circuito internacional de prêmios. O longa, que completa 18 anos, passou a circular novamente nas redes sociais, no Letterboxd e também nos cinemas, em um movimento raro de redescoberta popular de uma comédia brasileira.
Desde o anúncio do Globo de Ouro de Wagner Moura por “O Agente Secreto” e da trajetória vitoriosa de Fernanda Torres com “Ainda Estou Aqui”, usuários passaram a resgatar cenas, fotos e diálogos do filme nas redes. No X, antigo Twitter, uma das postagens mais compartilhadas sobre o tema resumiu o clima do momento ao afirmar que “está sendo um ótimo ano para o elenco de saneamento básico”.
O impacto também se refletiu no mercado exibidor. Até o início de janeiro, “Saneamento Básico, o Filme” voltou aos cinemas em 46 salas espalhadas por 18 estados brasileiros, além de permanecer disponível no streaming da HBO Max. Dados da Ancine mostram que, em sua estreia original, o longa alcançou 190.656 espectadores, foi exibido em 58 salas e arrecadou R$ 1,5 milhão, números que agora voltam a ser lembrados dentro de um novo contexto de prestígio internacional do elenco.
Nas redes sociais, os protagonistas celebraram o retorno do filme às telas. Fernanda Torres afirmou que “foi um dos filmes que mais amou fazer”, exaltando o roteiro e a direção de Jorge Furtado. Wagner Moura também destacou o longa como “uma das comédias mais inteligentes e divertidas” de sua trajetória, reacendendo o interesse de um público que, em muitos casos, sequer havia assistido ao filme quando foi lançado.
O próprio Jorge Furtado percebeu o fenômeno. Em seu perfil no Letterboxd, o diretor comentou o crescimento expressivo de críticas e análises vindas de usuários internacionais, além de espectadores brasileiros que revisitaram o filme quase duas décadas depois. O interesse dialoga diretamente com o momento de visibilidade global do cinema nacional, que ganhou novo fôlego com os prêmios recentes conquistados por seus intérpretes.
Na trama, “Saneamento Básico, o Filme” acompanha os moradores da fictícia Linha Cristal, que enfrentam um problema básico de infraestrutura. Sem verba para resolver uma fossa a céu aberto, a comunidade descobre que o único dinheiro disponível na prefeitura é destinado à produção de um filme. A solução encontrada por Marina, personagem de Fernanda Torres, é criar uma ficção sobre um monstro do esgoto para, na prática, financiar a obra real de saneamento. O que começa como uma manobra burocrática se transforma em uma reflexão espirituosa sobre cinema, política e sobrevivência.
WAGNER MOURA E FERNANDA TORRES JUNTOS? SAIBA FILME QUE OS UNIU
Por *Valmir Moratelli
VEJA Gente, 12/01/2026 | 09:30
/ Atores têm Globo de Ouro de melhor ator e atriz, em dois anos consecutivos
Filme de 2007, Saneamento Básico fala sobre uma pequena comunidade de descendentes de imigrantes italianos do interior do estado do Rio Grande do Sul, que recorre a um vídeo caseiro para tentar resolver os problemas básicos de saneamento que afetam seu povo.
Lançado há 18 anos pelo diretor Jorge Furtado, voltou a ser assunto com a ascensão de dois atores do longa: Fernanda Torres, que levou o prêmio de melhor atriz do Oscar e vencedora do Globo de Ouro, e Wagner Moura, melhor ator no Festival de Cannes e melhor também no Globo de Ouro. Ambos interpretam Marina e Joaquim no filme de Furtado. O elenco ainda conta com Camila Pitanga, Lázaro Ramos e Paulo José.
O FILME GAÚCHO QUE REÚNE DOIS VENCEDORES DO GLOBO DE OURO
Murilo Rodrigues
Zero Hora, 12/01/2026 | 11:01
/ Com Fernanda Torres e Wagner Moura no elenco, “Saneamento Básico, o Filme” voltou a repercutir após a consagração na premiação, um ano após a atriz vencer a premiação por “Ainda Estou Aqui”
A consagração de Wagner Moura e O Agente Secreto no Globo de Ouro 2026, na madrugada desta segunda-feira (12), reacendeu não apenas o orgulho do cinema brasileiro no cenário internacional. No embalo da premiação, um título do cinema gaúcho voltou a circular nas redes sociais: Saneamento Básico, o Filme.
Dirigido pelo diretor e roteirista porto-alegrense Jorge Furtado, lançado em 2007 e estrelado por Moura e Fernanda Torres, dois atores que hoje têm o troféu do Globo de Ouro no currículo. O longa, produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, reúne um feito raro e tanto: colocou no mesmo elenco dois intérpretes brasileiros que, em momentos diferentes, subiram ao palco da premiação internacional.
Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama por Ainda Estou Aqui (2025). Agora, Wagner Moura foi consagrado como melhor ator em filme de drama por O Agente Secreto, que também levou o prêmio de melhor filme em língua não inglesa.
Uma comédia sobre saneamento
Ambientado na fictícia “Linha Cristal”, no interior do Rio Grande do Sul, Saneamento Básico, o Filme parte de um problema comum: o mau cheiro provocado pela falta de tratamento de esgoto em um arroio que corta a comunidade.
Os moradores se organizam para cobrar a construção de uma fossa, mas recebem da prefeitura uma resposta inesperada. Não há recursos para a obra, apenas uma verba pública destinada à produção de um vídeo de ficção, que precisa ser usada ou devolvida.
A solução encontrada pelo grupo liderado por Marina (Fernanda Torres) e Joaquim (Wagner Moura) é transformar a própria obra de saneamento em tema de um filme.
Para cumprir as exigências burocráticas, surge a ideia de criar uma história fictícia sobre um monstro que aparece durante as escavações.
A partir daí, a vila inteira passa a se envolver na produção: roteiro improvisado, figurinos caseiros, atores amadores e uma câmera emprestada.
Filme foi gravado na Serra Gaúcha
Embora a história se passe na fictícia Linha Cristal, as filmagens de Saneamento Básico, o Filme ocorreram no município de Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, na comunidade de Nossa Senhora da Saúde, na Linha Santa Bárbara.
Parte das cenas também foi registrada em Bento Gonçalves e em Santa Tereza, cidades que cederam locações para representar diferentes espaços da trama.
A produção contou ainda com envolvimento da população local. Moradores participaram como figurantes, emprestaram casas, objetos e cenários reais, como um antigo galpão, um armazém de secos e molhados, um bar e residências da comunidade.
Grupos culturais da região, como corais, companhias de dança e teatro, também se engajaram nas gravações. A ironia, segundo o próprio Furtado, é que a cidade que serviu de cenário para um filme sobre cinema não possuía uma sala de exibição à época.
Repercussão nas redes sociais
Quase duas décadas após a estreia, o filme voltou a viralizar nas redes sociais com a consagração de Wagner Moura no Globo de Ouro. Usuários passaram a compartilhar cenas e imagens do longa, destacando o fato de ele reunir dois vencedores da premiação.
“Saneamento Básico oficialmente filme com dois Golden Globes winners”, escreveu um perfil. Outro resumiu o fenômeno: “Quando os americanos descobrirem Saneamento Básico”.
Em entrevistas ao longo dos anos, Jorge Furtado definiu Saneamento Básico, o Filme como uma reflexão sobre a tensão entre necessidades básicas e direitos culturais.
Para o diretor, a pergunta central nunca foi se um país com problemas sociais pode fazer cinema, mas por que abrir mão da arte, de fato, não resolve essas carências.
- Quis fazer um filme sobre a importância da arte na vida das pessoas. O filme é político, fala de um país que não tem saneamento básico. Ele traz uma pergunta: um país sem saneamento básico pode fazer cinema? Sim, a resposta que o filme dá é essa: pode, sim, não só pode, como deve. Com isso, os personagens acabam se apaixonando pelo cinema e transformando a sua realidade através da arte, não pelo esgoto, mas através de filmes. É um filme de amor ao cinema, de amor à arte - disse em entrevista.
Onde assistir a Saneamento Básico, O Filme?
A obra está disponível em plataformas de streaming e pode ser assistido por assinatura na HBO Max, MUBI e Netflix.
O longa também integra o catálogo do Globoplay e do Amazon Prime Video, em ambos os casos mediante contratação de complemento. A disponibilidade pode variar conforme atualizações dos serviços.
